Voz Missionária

Julho / Agosto 2019

Um novo caminho: a solidariedade!
(julho/agosto de 2019)


Vivemos em um mundo marcado pelo individualismo. Cada pessoa vive em seu quadrado. Estamos rodeados de pessoas, mas a solidão impera. Fechadas em seu egoísmo, não olham para o lado, para as outras pessoas e suas necessidades. Nossa capa retrata muito bem essa situação: estamos sempre cercados por uma multidão e, ao mesmo tempo, isolados e sozinhos. Apesar de todo avanço tecnológico, não experimentamos conexões humanas e a solidão vai crescendo.

Lembrei-me dessa história que li há algum tempo: Num kibutz - forma de coletividade comunitária israelita - foi realizada uma pesquisa com as crianças. Havia mais de uma centena de crianças em cada pavilhão, cuidadas por enfermeiras que eram responsáveis, em média, cada uma, por 12 a 15 crianças. Notou-se que em alguns pavilhões, a mortalidade infantil estava altíssima. Quase 70% das crianças recém-nascidas (e órfãs) não chegavam ao quinto mês de idade. E, em outros pavilhões, a realidade era outra. O que poderia estar acontecendo, uma vez que os cuidados eram os mesmos? Mesmo número de profissionais, mesma dieta, mesmos horários de mamadeiras, troca de lençóis, cobertas. Percebeu-se que onde a mortalidade estava sendo mais alta, a mamadeira estava sendo colocada ao lado do bebê, no travesseiro, para que o próprio bebê a sugasse, ou a enfermeira segurava a mamadeira, mas sem tirar o bebê do berço. Nas alas em que o índice de sobrevivência era maior, as enfermeiras pegavam os bebês no colo, falavam algumas palavras de carinho, as crianças recebiam afago antes, durante e depois da mamadeira. O que estava faltando nos outros pavilhões? Contato, calor humano, toque!

O individualismo só poderá ser vencido por meio do viver comunitário, solidário, fraterno e amoroso. Temos uma grande responsabilidade: transformar essa realidade. O grupo de mulheres deve ser um espaço de acolhida e de vida. A Igreja é a última esperança solidária e comunitária para o mundo.